A visão tradicional das boas práticas de gestão de projetos obedecem a uma dinâmica de comunicação hierarquizada e centralizadora.
Os ambientes corporativos estão reconhecendo as vantagens de proporcionar a colaboração e participação ativa em todos os níveis da organização. E as organizações que ainda não reconheceram os benefícios da comunicação aberta estão sofrendo os mesmos impactos, pela via das dinâmicas emergentes, onde equipes das bases de produção criam inúmeras iniciativas que contaminam a organização de baixo-para-cima.
A Gestão de Projetos 2.0, ou como prefiro chamar, Social Project Management reconhece os valores da Empresa 2.0, ou seja, valoriza a conversação, transparência, participação e direciona todos os processos e atividades do projeto para a colaboração.
Diretrizes gerais:
- Wikis ao invés de repositórios de arquivos
- Blogs ao invés de emails
- RSS para melhorar o conhecimento da equipe
Ainda mais alguns exemplos de uso efetivo das novas mídias:
- Wiki para Lições Aprendidas
Normalmente são consolidados documentos ou relatórios que ficam disponíveis em diretórios ou sistemas repositórios. Isso dificulta tanto o processo de elaboração das Lições Aprendidas quanto a recuperação das informações valiosas aos futuros processos e projetos. Os erros e acertos são percebidos durante todo o ciclo do projeto, então não faz sentido concluir este registro somente ao final, um ambiente wiki facilita a organização das Lições Aprendidas de maneira viva e contínua, além de facilitar a discussão e ponto de vista de todos os envolvidos no projeto para determinada situação.
- Wiki por projeto para elaborar e reunir toda a documentação gerada (planos, relatórios, atas, registros de riscos, questões técnicas do projeto, etc.)
Nos ambientes produtivos já não há mais espaço para o troca-troca de emails e circulação de documentos que ninguém conhece de fato a última versão. O ambiente wiki facilita a reunião das informações relevantes, assegura o versionamento e estimula a produção coletiva. Os mais resistentes podem até gerar documentos consolidados a partir do que foi discutido e produzido no wiki, mas chega de usar Word e anexos de email para criar e circular documentos preliminares e coletivos.
- Wiki para facilitar o relacionamento com o cliente
O cliente também não gosta de ser bombardeado com documentos redundantes e confusos. Perde-se mais tempo determinando o significado e valor do documento do que a fase e resultados parciais do projeto. Além disso, atualmente diversas metodologias consideram o cliente como parte da equipe do projeto, tomando em conjunto as decisões do dia-a-dia. Estratégia que aumenta a satisfação com o resultado final, e elimina surpresas nas entregas.
- Blog para dar visibilidade ao avanço do projeto
Relatórios de desempenho pode ser úteis em algumas situações, mas o dia-a-dia é muito mais dinâmico. A comunicação dos avanços das tarefas e etapas pode ter melhor alcance em ambientes abertos e participativos.
- Blog para apresentar e discutir questões técnicas
Uma dificuldade individual, uma descoberta útil aos demais membros, e todas as situações do cotidiano podem ser melhor trabalhadas se a comunicação aberta for estimulada. Os membros da equipe devem ser estimulados a registrar e discutir todas suas dúvidas e idéias sobre o projeto.
Estes são apenas alguns dos aspectos e cenários onde a gestão de projetos colaborativa pode atuar, na verdade existe ainda muito espaço para novas iniciativas que estimulem a comunicação aberta e descentralizada nas equipes de projeto.

Há algumas semanas atrás li Startup, o livro de Jessica Livingston baseado em entrevistas com fundadores e personalidades importantes de grandes empresas nascidas no vale do silício.
Por experiência própria como estudante e professor, e também por depoimentos de diversos colegas não é difícil concluir que as escolas de negócio são lentas ao absorver as dinâmicas de mercado. Os modelos mudam, novas teorias surgem, mas as escolas demoram a adaptar seu programa. É algo natural, a avaliação destes programas depende de certo grau de maturidade. O problema é que nós, alunos, não estamos levando o melhor material para casa. E nosso aprendizado é limitado ao que a escola é capaz de se apropriar.



